segunda-feira
E tudo sempre começa num beijo. A pele macia, convida os dedos a um passeio entre curvas, morros e vales. Todo o ar que ali há parece findar-se magicamente, os pulmões se esforçam para continuar trabalhando. A pele eriça-se ao ser tocada pela respiração quente e o aroma da pele entorpece os sentidos. Os músculos se contraem numa tentativa de fundir os dois corpos, apesar de o suor lhes colar a pele um do outro num mesmo esforço e fracasso. Toda a pele parece querer respirar por si própria, sentindo-se sufocada sob os tecidos das roupas. Surgem nós na garganta, a voz torna-se rouca, mas nada que possa ser dito tem importância, seus corpos dizem mais sobre eles mesmos, sobre suas sensações e desejos. Uns tantos toques e carícias que levam seus olhares ao nada e elevam seus pensamentos ao desconhecido, íntimos por um instante, que seja. Aconchegam-se e se invadem numa tentativa de desvendarem um ao outro e a si próprios. Entregues às próprias vontades, anseios e expectativas. Tornam-se os únicos seres sobre a terra e mesmo assim parecem pertencer aos céus, não ao mundo.
domingo
fale-me sobre o amor e como é se apaixonar por alguém.
fale-me sobre o céu e de como é tocar as estrelas.
fale-me sobre seus devaneios e eu provo entender todos eles.
fale-me sobre seus desejos e eu os beijarei um a um com prazer.
fale-me sobre seus erros e de como os seres humanos são falíveis.
fale-me sobre o seu dia que hoje eu sorrirei só em te olhar.
fale-me sobre nada que eu ouço seu silêncio e traduzo seus pensamentos.
fale-me sobre as palavras, enquanto me devoras com o olhar.
fale-me sobre o céu e de como é tocar as estrelas.
fale-me sobre seus devaneios e eu provo entender todos eles.
fale-me sobre seus desejos e eu os beijarei um a um com prazer.
fale-me sobre seus erros e de como os seres humanos são falíveis.
fale-me sobre o seu dia que hoje eu sorrirei só em te olhar.
fale-me sobre nada que eu ouço seu silêncio e traduzo seus pensamentos.
fale-me sobre as palavras, enquanto me devoras com o olhar.
segunda-feira
the game of life.
As pessoas entram na vida umas das outras de diversas maneiras, por indeterminados períodos de tempo, por incertas razões. Seus caminhos se cruzam de forma irreversível, cada um deixa marcas inevitáveis, marcas que vão desde amores de uma vida toda ao esquecimento.
É o movimento da vida o qual não se pode evitar. Todos nós estamos sujeitos à amizades, paixões, desamores, encontros, desencontros e reencontros, não há meio de evitar.
Vivemos para dar sentido e direção à vida dos outros e, conseqüentemente, todas as outras pessoas existem, simplesmente, para que possamos também existir.
Cada um recebe a própria vida nas mãos e a leva adiante a seu modo, como pode e/ou lhe convém. O que será dela é incerto, todo mundo e ninguém é culpado pelo que possa nos acontecer.
Trata-se de um jogo de azar em que quem souber blefar com cartas ruins, leva a partida e, de vez em quando, temos às mãos a jogada perfeita, cabe a nós saber jogar e levar o máximo possível da mesa. Mas deixo aqui um conselho, ou melhor, um aviso: no final, a banca sempre vence.
É o movimento da vida o qual não se pode evitar. Todos nós estamos sujeitos à amizades, paixões, desamores, encontros, desencontros e reencontros, não há meio de evitar.
Vivemos para dar sentido e direção à vida dos outros e, conseqüentemente, todas as outras pessoas existem, simplesmente, para que possamos também existir.
Cada um recebe a própria vida nas mãos e a leva adiante a seu modo, como pode e/ou lhe convém. O que será dela é incerto, todo mundo e ninguém é culpado pelo que possa nos acontecer.
Trata-se de um jogo de azar em que quem souber blefar com cartas ruins, leva a partida e, de vez em quando, temos às mãos a jogada perfeita, cabe a nós saber jogar e levar o máximo possível da mesa. Mas deixo aqui um conselho, ou melhor, um aviso: no final, a banca sempre vence.
terça-feira
anseios, vontade, desejos, repulsa III
Ele está satisfeito. Satisfeito de meu corpo, vejo isso em seu suor, sua respiração ofegante. Vejo isso pairando no ar pesado de calor e repentino silêncio. Quero sentí-lo novamente em mim, sentir nossos corpos colados, colantes. Minhas palavras não o convencem, responde-me seco, monossílabo. Vejo-o acendendo seu cigarro derradeiro, indicando-me que é o fim. Está satisfeito e não sei ao certo se ele acha que me satisfaço ao vê-lo exausto. Concordo, dessa vez, já que não quer me fazer mulher, contento-me que esteja, simplesmente, ao meu lado.
Mas o mesmo suor que nos uniu, a poucos minutos atrás, repele-nos violentamente, como pólos opostos de ímãs. Ele me rejeita, diz-me meia dúzia de ofensas, esperando, quem sabe que eu me cale, baixe a cabeça. Orgulhosa, mesmo querendo que ele fique, mesmo que seja adormecido madrugada a dentro, cubro o corpo e o expulso do quarto. Ele sorri, veste as calças, apaga o cigarro, põe a camisa e, antes de bater a porta ruidosamente, diz-me que vai ligar. Cínico. Trata-me como pedaço de carne gordurosa, come desgostoso e ainda cospe fora os nervos indigestos.
Ao deixar-me, deixa também uma mágoa em meu peito, deixa a sombra de seus pensamentos em outra. Mas sinto-me, ao mesmo tempo, aliviada, pois, junto com seu cinísmo, leva também o peso de sua respiração, o peso da fumaça de seu cigarro, o peso de seu desprezo, o peso no ar. Não posso deixar de sorrir. Agora estou vingada: meus pensamentos e sentimentos ocupam-se em odiar a outra, não mais em amá-lo.
Este post baseia-se nos posts a seguir:
Anseios, vontade, desejos, repulsa
Anseios, vontade, desejos, repulsa II
Mas o mesmo suor que nos uniu, a poucos minutos atrás, repele-nos violentamente, como pólos opostos de ímãs. Ele me rejeita, diz-me meia dúzia de ofensas, esperando, quem sabe que eu me cale, baixe a cabeça. Orgulhosa, mesmo querendo que ele fique, mesmo que seja adormecido madrugada a dentro, cubro o corpo e o expulso do quarto. Ele sorri, veste as calças, apaga o cigarro, põe a camisa e, antes de bater a porta ruidosamente, diz-me que vai ligar. Cínico. Trata-me como pedaço de carne gordurosa, come desgostoso e ainda cospe fora os nervos indigestos.
Ao deixar-me, deixa também uma mágoa em meu peito, deixa a sombra de seus pensamentos em outra. Mas sinto-me, ao mesmo tempo, aliviada, pois, junto com seu cinísmo, leva também o peso de sua respiração, o peso da fumaça de seu cigarro, o peso de seu desprezo, o peso no ar. Não posso deixar de sorrir. Agora estou vingada: meus pensamentos e sentimentos ocupam-se em odiar a outra, não mais em amá-lo.
Este post baseia-se nos posts a seguir:
Anseios, vontade, desejos, repulsa
Anseios, vontade, desejos, repulsa II
segunda-feira
a dissimulada
Ou "A do ego gigante".
Ou "A do orgulho irredutível".
Ou "A das mentiras sinceras".
Ou "A das terceiras intenções".
Ou "A dos valores invertidos".
Ou "A dos semi-limites".
Ou "A sem planos".
Ou "A anti-amor".
Decerto os humanos possuem defeitos, porém há controvérsias se a tal a qual me refiro seja mesmo deste mundo. Ser contra-tudo é fácil, difícil mesmo é discordar de tudo e todos e ainda tentar provar que são todos os outros que estão errados. Uns chamariam isso de dissimulação. Não sei bem se seria a palavra correta. Capitu que se defenda de suas acusações. Há mais de cem anos titio Machado imortalizou a dúvida e tolos dos que não se contentam com a dúvida. Acreditar nas palavras de alguém é atirar-se no escuro. Palavras são apenas palavras.
E a tal da garota continua a dar a si própria o benefício da dúvida, continua a defender a relatividade das coisas, continua a dissimular, continua a "Capituar".
A dissimulação é a mesma. Tire-lhe os olhos de ressaca, coloque-lhe um sorriso multifacetado e obterás a tal garota. Só não pense que finalmente a compreendeu, ela mesma continua a procurar D. Capitolina, na esperança de convidá-la para um café com bolachas e colocar a conversa e as idéias em dia.
Ou "A do orgulho irredutível".
Ou "A das mentiras sinceras".
Ou "A das terceiras intenções".
Ou "A dos valores invertidos".
Ou "A dos semi-limites".
Ou "A sem planos".
Ou "A anti-amor".
Decerto os humanos possuem defeitos, porém há controvérsias se a tal a qual me refiro seja mesmo deste mundo. Ser contra-tudo é fácil, difícil mesmo é discordar de tudo e todos e ainda tentar provar que são todos os outros que estão errados. Uns chamariam isso de dissimulação. Não sei bem se seria a palavra correta. Capitu que se defenda de suas acusações. Há mais de cem anos titio Machado imortalizou a dúvida e tolos dos que não se contentam com a dúvida. Acreditar nas palavras de alguém é atirar-se no escuro. Palavras são apenas palavras.
E a tal da garota continua a dar a si própria o benefício da dúvida, continua a defender a relatividade das coisas, continua a dissimular, continua a "Capituar".
A dissimulação é a mesma. Tire-lhe os olhos de ressaca, coloque-lhe um sorriso multifacetado e obterás a tal garota. Só não pense que finalmente a compreendeu, ela mesma continua a procurar D. Capitolina, na esperança de convidá-la para um café com bolachas e colocar a conversa e as idéias em dia.
Assinar:
Postagens (Atom)