Quinta-feira

vício

Vício, s.m. Grande defeito ou imperfeição; mau hábito; tendência habitual para certo mal; hábito de proceder mal; costume condenável ou censurável; desmoralização; libertinagem; hábito prejudicial; costumeira.

O que torna uma pessoa viciada? A partir de que momento, ato ou fato alguém pode ser taxado de viciado? Há quem possua todos os vícios possíveis? Há quem não possua nenhum deles?

"O primeiro cigarro é suficiente para levar ao vício";
"O cigarro mata 5 milhões de pessoas por ano no mundo";
"14% das pessoas são suscetíveis a algum tipo de vício";
"O poder viciante da maconha é de 50%, drogas como heroína e crack tem poder viciante superior a 80%";
"Jogadores compulsivos apresentam sintomas de abstinência muito semelhantes aos dos usuários de drogas";
"Pessoas que consomem muito chocolate podem ter reações psicofarmacológicas inerentes a um vício";
"40% das mulheres são 'chocólatras'";
"Pessoas 'viciadas' em comida podem apresentar sensações de prazer e abstinência semelhantes às de viciados em drogas".

Eu até poderia terminar este texto com algo do tipo: "sou viciada em viver!", mas acho que nem é muito a minha cara dizer esse tipo de coisa, além do que ia ser muito ridículo, ia pegar mal para mim, sabe como é... Pois bem, admitamos aqui e agora que vício é ruim.

O objetivo aqui é falar de vício (algo ruim!) sem julgar ou qualquer outra coisa. Não pretendo libertar o mundo de seus males, tampouco fazer apologias as quais já estamos cansados de ouvir, assim como esses discursos pró-saúde e anti-drogas.

Os seres humanos, apesar de tão inteligentes e superiores, estão suscetíveis a contrair vícios de diferentes espécies ao longo de suas curtas vidas e parabéns para aquele que ainda pensa: "eu paro quando eu quiser"! Um salve para aquele que fracassou duzentas e trinta e sete vezes em parar de fumar. E um brinde àqueles que sabem que são viciados e estão pouco se lixando para suas parcas vidas.

No entanto só se vive uma vez e as coisas existem para serem experimentadas, vividas, apreciadas ou odiadas. Quanto será que estamos dispostos a arriscar por aquelas boas sensações acarretadas pelos maus hábitos?

Certas coisas que fazemos pesam em nossa consciência por serem boas quando todos julgam que isso é ruim (exceto o chocolate, vai...). Sábias palavras de minha mãe: "Tudo em excesso é prejudicial". E enquanto ela diz belas palavras, quem é que está ocupando-se em me colocar limites!?!?

As fronteiras entre o permitido e o proibido estão aí, camufladas, prontas para serem ultrapassadas, só esperando por alguém que as viole e diga "ops!" ao ver-se do outro lado da linha.

Não tem a ver com responsabilidade (ou tem?), tem a ver com escolhas, com os caminhos que nossas vidas vão tomando, muitas vezes sem nosso controle, algumas vezes sem nosso consentimento. Não digo que os viciados em cocaína estão nessa por obra e conspiração do destino, seria hipócrita se afirmasse tal coisa.

O que quero dizer é que existem coisas que fazemos porque precisam ser feitas, outras são feitas porque queremos fazer, seja esse querer um ato bem pensado ou algo que se decide num segundo.

É o que sempre digo: o único momento que temos para viver é agora! A diferença está em quanto arrependimento nos arrebata depois, já que nem sempre é possível resgatar o que foi perdido. É o risco pelo qual vivemos o tempo todo. Não fosse o risco, toda a "aventura" da vida não existiria e seríamos (ainda mais!) ovelhinhas num rebanho, seguindo as regras e sendo cidadãos normais.

Mais do que suas qualidades, o que mais te define são seus defeitos e como você lida com eles. O bom e o mau são muito relativos, todos nós estamos suscetíveis às contradições e às imperfeições.

Segundo a definição do Aurélio, quem é viciado é do mal (!!!) e eu não sou má pessoa, não sou mal intencionada. O único impecílio é que de boas intenções o inferno já está abarrotado, mas quem sabe eu suba por causa da super lotação nas bandas lá de baixo...

Moral da história: fume um cigarro e ajude uma velhinha a atravessar a rua, só para compensar...