domingo

(des)amarras

***Esta história é fictícia, com eventos e personagens fictícios.***



Estava pensativo. No que pensava? A melhor pergunta é: em quem pensava? A outra, a uma, a uma outra, a qualquer, a única, a única qualquer, a sua outra, a uma de outro, a única de ninguém.

Se chovia ou fazia sol? Pouco importa. Se era dia, se era noite, se era aqui ou noutro lugar? Já disse, não importa, ninguém se importa. Questões de contingência. O caso aqui é mais complexo, tão importante que não importa a ninguém.

Chegadas (quase) ao fim as cacofonias, vamos ao que desimporta: a outra uma, a ninguém única, a uma qualquer.

Ela fazia, falava, fugia, fingia. Ele pensava, não fazia, não falava, mas também fugia, também fingia.

Era a mesma coisa, mas não o mesmo para cada um. Chegava a arrancar sorrisos, chegava a derramar lágrimas. Mas quem sorri e quem chora? O que se vê não é, necessariamente, a verdade. O que se sente não é definitivamente claro. O que se pensa não é, merecidamente, o que se quer.

São planos que talvez não passem de planos, são acasos que ultrapassam acasos. As coisas são como são as coisas, tudo a seu tempo, porém não há tempo para tudo. Os de vanguarda que sofram por antecipação. Os atrasados que sofram por suas perdas.

O tempo empurra os corações, uns rumo ao abismo, outros rumo a salvação.

E ela diz: tudo passa.
E ele diz: é... passa.