Hoje vi o nascer do sol.
Mesmo estando dentro do ônibus, a caminho do meu primeiro dia na faculdade (!!!), o sono ainda pesando nas minhas pálpebras e uma dezena de prédios encobrindo partes do céu, não posso deixar de enxergar toda a poesia inscrita nesse momento.
Afinal, não é todo dia que conseguimos dos dar conta de que, por maiores e mais feios que sejam nossos problemas, ou o nosso temor pelas incertezas de nosso futuro, os dias continuam a nascer. Uns nublados, é verdade, mas alguns deles, como o de hoje, alvorecem sorrindo para quem os fita por uns segundos, que sejam. Um sorriso largo, quase estrondoso de tão especial e que, muitas vezes, passam despercebidos.
Hoje o céu sorriu para mim! Um sorriso vermelho, quase sanguíneo, entrecortado por nuvens suaves e o céu num azul acinzentado, mas não cinza de mau-presságio, um cinza São Paulo que significa, mais ou menos, "eu sou cinza, mas não quer dizer que eu não possa ser belo". E por mais altos e austeros que fossem os prédios, eu não os via tocando o céu, mas o céu é quem os acolhia e todos eles juntos, até os prédios que eu nem conseguia enxergar de onde estava, pareciam tão pequenos perto daquele sorriso rubro que não pude deixar de sentir-me um grão de areia diante daquele espetáculo logo ali, ao alcance dos meus olhos.
O que me resta fazer é me curvar diante de tamanha grandiosidade, uma grandeza tão simples, se comparada à insignificância de nossas complicações, que é capaz de transformar um dia comum num dia especial, como transformou o meu dia, enchendo meu peito de uma sensação boa e desenhando um sorriso singelo nos meus lábios.
E pode ser que daqui um tempo eu nem me lembre mais desse alvorecer, mas tenho certeza de outros virão, ainda mais belos e fantásticos, para me estarrecer e me fazer pensar: "Caramba! Como é bom estar viva!"
quinta-feira
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