segunda-feira
E tudo sempre começa num beijo. A pele macia, convida os dedos a um passeio entre curvas, morros e vales. Todo o ar que ali há parece findar-se magicamente, os pulmões se esforçam para continuar trabalhando. A pele eriça-se ao ser tocada pela respiração quente e o aroma da pele entorpece os sentidos. Os músculos se contraem numa tentativa de fundir os dois corpos, apesar de o suor lhes colar a pele um do outro num mesmo esforço e fracasso. Toda a pele parece querer respirar por si própria, sentindo-se sufocada sob os tecidos das roupas. Surgem nós na garganta, a voz torna-se rouca, mas nada que possa ser dito tem importância, seus corpos dizem mais sobre eles mesmos, sobre suas sensações e desejos. Uns tantos toques e carícias que levam seus olhares ao nada e elevam seus pensamentos ao desconhecido, íntimos por um instante, que seja. Aconchegam-se e se invadem numa tentativa de desvendarem um ao outro e a si próprios. Entregues às próprias vontades, anseios e expectativas. Tornam-se os únicos seres sobre a terra e mesmo assim parecem pertencer aos céus, não ao mundo.